Mudanças na Tributação para Aeronaves
A partir de 2027, a legislação tributária brasileira verá uma nova realidade com a inclusão de aeronaves na base de incidência do IPVA. Essa alteração, originada da Emenda Constitucional 132/2023 que alterou o artigo 155, inciso III da Constituição, representa um avanço significativo nas regras fiscais. Contudo, é importante notar que há uma exceção para operadores devidamente certificados de táxi aéreo e de transporte público aéreo, conforme estipulado pela nova norma. Paula Soffo Hoffmann, sócia-diretora da FLy CGC, destaca que essa não incidência não deve ser vista como uma brecha, mas sim como uma categoria regulatória com requisitos rigorosos para sua implementação.
Contexto da Reforma Tributária
A reforma tributária abrange mudanças profundas e abrangentes no sistema de impostos do Brasil, introduzindo a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituirão tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS ao longo de um período que se estende até 2033. O impacto dessa reforma foi amplamente discutido na LABACE 2026, onde especialistas do setor avaliaram as novas condições que moldarão o futuro da aviação de negócios. O aumento da tributações patrimoniais sobre aeronaves despertou um interesse significativo entre os operadores do setor, que até então não se viam tão envolvidos nas discussões tributárias.
Laboratório de Ideias na LABACE 2026
O evento LABACE 2026, realizado de 4 a 6 de agosto no Campo de Marte, em São Paulo, propiciou um espaço amplo para discussões sobre “Impactos da reforma tributária para a aviação de negócios”. Participaram operadores, gestores de frota e consultores jurídicos para esclarecer os novos desafios apresentados por esta mudança. Durante o painel, questões sobre a incidência do IPVA em aeronaves foram levantadas, enfatizando a necessidade de esclarecimentos sobre como os estados definirão suas alíquotas e regulamentos específicos para este tributo.

Exceções para Operadores de Táxi Aéreo
Conforme mencionado anteriormente, a nova legislação estabelece uma exceção para o IPVA para operadores certificados. No entanto, isso exige que tais operadores comprovem a realização de atividades regulares sob normas da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil). Essa classe regulatória não é uma simples opção, mas sim uma obrigação que os operadores precisam atender a fim de garantir a isenção tributária. O cumprimento dessas exigências implica que as operações de táxi aéreo devem ser geridas com rigor e sob constante supervisão.
Implicações da Emenda Constitucional 132
Com a aprovação da Emenda Constitucional 132, a extensão do IPVA inclui novos desafios para os operadores. Cada estado terá autonomia para decidir suas alíquotas, levando a uma maior complexidade na gestão fiscal dos operadores além da necessidade de se adaptar a um novo cenário regulatório. Essa autonomia também implica que os operadores devem ficar atentos às variações de tributações, o que pode impactar diretamente seus custos operacionais e a competitividade no mercado.
Expectativas do Setor Após 2027
Após a implementação da nova regra em 2027, o setor aguarda que a ANAC se posicione quanto a possíveis ajustes nas normas de certificação relacionadas ao novo regime tributário. A expectativa é que as definições sobre como as alíquotas de IPVA serão aplicadas não somente afetem o planejamento fiscal, mas também a forma como as operações são estruturadas e geridas, trazendo uma nova dinâmica para fórmulas de viabilidade econômica.
Regulamentações Locais do IPVA
A complexidade das definições sobre o IPVA se estende às regulamentações locais que cada estado terá que desenvolver. O processo de regulamentação ainda está em análise e a expectativa de alíquotas gira em torno de 3,5%, mas nada ainda foi definido. Essa insegurança quanto às alíquotas e seus critérios de cálculo faz com que os operadores busquem esclarecimentos para se planejarem adequadamente, considerando que a comparação entre estruturas de posse e operação deve ser cuidadosamente examinada nesta nova realidade.
Desafios Enfrentados por Operadores
Os desafios enfrentados pelos operadores de aeronaves vão além das complicações tributárias. A implementação da nova legislação exige que esses operadores se adequem a um ambiente regulatório rigoroso, onde a segurança operacional e a conformidade com os regulamentos da ANAC são prioritárias. A necessidade de um gerenciamento eficaz da segurança operacional se refere ao cumprimento de normas que garantem a segurança durante as operações aéreas, refletindo as exigências do SMS (Safety Management System).
Importância da Certificação na Aviação
A certificação torna-se uma peça chave nas operações de táxi aéreo. Como Paula destaca, “não existe atalho” para conseguir essa certificação, e todos os operadores precisam assumir a responsabilidade plena pelas regulamentações que governam suas operações. Nesse sentido, o processo de certificação é não apenas uma formalidade, mas um compromisso contínuo de conformidade dentro da estrutura regulatória, que demanda comprometimento dos operadores com a qualidade e segurança.
O Futuro da Aviação de Negócios
Nos próximos anos, o futuro da aviação de negócios no Brasil estará atrelado a como as novas regulamentações e impostos serão absorvidos pelo mercado. A expansão da aviação de negócios é evidente, mas a forma como cada operador se estrutura fiscal e juridicamente poderá determinar se essa expansão será acompanhada de eficiência tributária ou se resultará em riscos financeiros. Portanto, é fundamental que os operadores analisem suas capacidades de se adequar a essas novas exigências e a estrutura que melhor se adequa à sua realidade operacional.