Contexto da Reunião da CMA
No dia 23 de abril de 2026, a Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade (CMA) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) realizou sua primeira reunião ordinária deste ano. O foco do encontro estava em tópicos cruciais que visam conduzir o setor da construção em direção à sustentabilidade, como o licenciamento ambiental, a taxonomia sustentável brasileira e as normas de eficiência energética nas construções. Este evento se configura como uma plataforma vital para a discussão e a formação de um consenso sobre esses desafios e oportunidades.
Importância do Licenciamento Ambiental
O licenciamento ambiental é uma etapa essencial no processo de planejamento e realização de obras e empreendimentos. Tem como objetivo garantir que as atividades desenvolvidas não causem danos irreparáveis ao meio ambiente e que estejam em conformidade com a legislação vigente. Durante a reunião, ficou claro que a harmonização das regras de licenciamento é necessária para permitir um desenvolvimento econômico que respeite o meio ambiente, promovendo condições adequadas tanto para a indústria da construção quanto para a preservação ambiental.
Marco Legal do Licenciamento Ambiental
O advogado Marcos Saes, consultor da CMA, elaborou um panorama sobre o marco legal do licenciamento ambiental no Brasil e os desdobramentos deste tema no Supremo Tribunal Federal (STF). Saes enfatizou a importância de uniformizar as diretrizes de licenciamento em todo o país, pois atualmente existem variações significativas nas regras aplicadas entre estados e municípios, o que gera incertezas jurídicas e processuais. Ele argumentou que essa uniformização é fundamental para garantir um ambiente de negócios estável e previsível, essencial para apoiar investimentos no setor.

Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC)
A CBIC se apresentou como uma entidade ativa nas questões legais relacionadas ao licenciamento ambiental, propondo uma Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) para afirmar a validade das leis pertinentes. Essa ação foi vista como um passo importante para estabelecer um sistema de licenciamento que seja tanto eficaz quanto legalmente seguro. O advogado destacou que essa iniciativa é uma forma de reafirmar a constituição das leis que regem o licenciamento, frente à oposição de ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) que estão sendo discutidas no STF.
Impactos da Taxonomia Sustentável
A taxonomia sustentável brasileira representa um novo paradigma, que tem como objetivo facilitar a identificação de investimentos sustentáveis. A representante da CBIC no Comitê Consultivo da Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB), Lílian Sarrouf, apresentou as novidades sobre essa iniciativa e seu potencial transformador no acesso ao crédito. A definição clara de parâmetros para os investimentos sustentáveis permite que empresas e investidores alinhem seus objetivos financeiros com práticas ambientais responsáveis.
Financiamento e Acesso ao Crédito
Na prática, a implementação da taxonomia pode afetar diretamente a maneira como o financiamento é obtido. Com critérios bem definidos, a captação de recursos deve ser facilitada para aqueles que demonstrarem compromisso com práticas sustentáveis. Lílian sublinhou que, conforme o setor avança na compreensão das diretrizes da taxonomia, os bancos estarão mais aptos a avaliar projetos levando em conta os aspectos ambientais, promovendo aqueles que se destacam por seus resultados positivos nesse campo.
Novas Regras de Eficiência Energética
A coordenadora do Grupo Técnico de Eficientização de Energia em Edificações do Ministério de Minas e Energia, Alexandra Maciel, apresentou os avanços nas regulamentações pertinentes à eficiência energética nas construções. De acordo com o que foi abordado, a regulamentação atual se encontra em fase de implementação progressiva, estabelecendo níveis específicos de eficiência energética que devem ser observados tanto nas construções públicas quanto nas privadas. O objetivo é garantir que as edificações atendam a padrões que promovam a economia de energia.
Implementação Progressiva das Normas
A implementação dessas normas de eficiência energética será gradual. O nível A de eficiência energética será exigido especificamente para edificações públicas, enquanto os empreendimentos privados terão que alcançar pelo menos o nível C. Essa abordagem escalonada visa permitir que o setor se adapte às novas exigências de forma eficaz e sustentável ao longo do tempo.
Preparação do Setor para Mudanças
Com as novas regras em andamento, é crucial que o setor esteja bem preparado. Mariana Silveira, gestora da CMA, enfatizou a urgência de que todos os envolvidos na construção comecem a familiarizar-se com a terminologia e os conceitos referentes à taxonomia sustentável e à eficiência energética. A formação e a capacitação contínua são essenciais para que as empresas possam se adaptar às mudanças e se beneficiem das novas oportunidades que surgirem.
Desafios e Oportunidades Futuras
A evolução do licenciamento ambiental, juntamente com a taxonomia sustentável e as novas regras de eficiência energética, apresenta tanto desafios quanto oportunidades para o setor da construção. A participação ativa da CBIC em discussões institucionais, como foi ressaltado pelo vice-presidente Nilson Sarti, é fundamental. Esse envolvimento não só ajuda a moldar políticas favoráveis, mas também pode abrir portas para uma construção mais responsável e integrada ao meio ambiente, algo que se tornará ainda mais crítico à medida que as questões climáticas ganham destaque global.