Anfavea pressiona governo sobre importações chinesas

A Anfavea se reuniu com o vice-presidente Geraldo Alckmin para discutir a questão das importações de veículos chineses, que já representam mais da metade dos veículos importados no Brasil.

As importações de veículos da China cresceram significativamente, ocupando 11,3% do mercado automotivo brasileiro. No período de janeiro a setembro, 463,9 mil veículos importados foram licenciados no Brasil, o que representa um aumento de 30,4% em relação ao ano anterior.

O crescimento inclui veículos eletrificados, com 262 mil unidades importadas, sendo 254,9 mil apenas da China, um aumento de 106,4%. Essa dinâmica está causando preocupação nas montadoras que produzem no Brasil.

A Anfavea propõe medidas como salvaguardas comerciais e cotas específicas para as importações de veículos, visando proteger a indústria local e garantir a sustentabilidade do mercado automotivo.

Crescimento das importações chinesas no Brasil

A participação das importações chinesas de veículos no mercado brasileiro aumentou significativamente, representando mais da metade de todos os veículos importados no país. Os dados indicam que as montadoras chinesas já ocupam 11,3% do mercado interno de automóveis. Para se ter uma ideia do crescimento, entre janeiro e setembro, o Brasil licenciou 463,9 mil veículos importados, o que significa um aumento de 30,4% em relação ao ano anterior. Os veículos leves foram os mais representativos, com 459,4 mil emplacamentos, enquanto veículos pesados, como caminhões e ônibus, somaram 4,5 mil unidades licenciadas neste mesmo período.

Outro aspecto relevante é o aumento das importações de tratores agrícolas chineses, que cresceram 117%, totalizando 5,2 mil unidades. O aumento das importações de veículos eletrificados também é notável, com 262 mil unidades, sendo 254,9 mil delas provenientes da China, representando um avanço de 106,4% em relação ao ano anterior. Este cenário se torna ainda mais relevante com a crescente presença da China no setor, influenciando a dinâmica do mercado automotivo brasileiro.

Reunião da Anfavea com o governo

No dia 29 de outubro, representantes da Anfavea se encontraram com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, para discutir as preocupações relacionadas ao aumento das importações chinesas de veículos. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, ressaltou a necessidade de políticas que equilibrem a competição entre veículos nacionais e importados. Durante a reunião, foi apresentado um balanço do mercado automobilístico dos últimos dez anos, enfatizando a necessidade de uma abordagem mais rigorosa para veículos importados por empresas que não possuem produção no Brasil.

A Anfavea propôs medidas que incluem salvaguardas comerciais temporárias e a criação de uma Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) sobre as importações. Uma das sugestões mais significativas é a discussão sobre cotas específicas para veículos chineses, estabelecendo um limite de 2,5% a 3% do mercado brasileiro, o que poderia variar entre 75 mil a 90 mil veículos por ano, voltadas essencialmente para empresas que não fabricam no país.

O vice-presidente se comprometeu a levar as sugestões da Anfavea para as áreas técnicas e jurídicas do governo, embora não tenham sido anunciadas decisões concretas durante a reunião. A expectativa é que as discussões sobre as regras de importação sejam retomadas em novembro, a fim de encontrar uma solução que beneficie tanto o setor automotivo nacional quanto o consumidor.