A ética no trânsito

Dentro do contexto do sistema operacional do trânsito, isto é, no convívio social entre motoristas, regularmente criticamos ou rotulamos atos praticados por outros motoristas que colocaram em risco ou geraram sinistros de trânsito. Invariavelmente rotulamos estes atos nocivos, mas dificilmente julgamos nossos próprios atos na direção de um veículo automotor.

Julgamos inúmeras vezes condutas como excesso de velocidade, avanço do sinal vermelho, embriaguez na direção entre tantos outros atos comuns de serem vistos no trânsito. Mas afinal, ao realizarmos uma reflexão mais íntima, podemos descobrir que também cometemos erros na direção e também somos alvos de críticas. O que difere nossos atos dos demais condutores? Não conseguimos reconhecer nossos erros ou limitações, sendo mais cômodo atribuir aos outros os problemas relacionados ao trânsito.

E dentro destes padrões de conduta, o conceito de ética muitas vezes é deturpado ou ignorado por todos. O conceito de ética na psicologia é o estudo dos valores morais e princípios ideais do comportamento humano. E conhecendo estes valores, saberemos as diferenças entre ética e moral. Ética no trânsito é o motivo pelo qual agimos de forma clara e segura e moral é a tradução de nossos atos no trânsito, isto é, o reflexo de nossa ética.

Para exemplificarmos melhor o assunto, quando um motorista dirige em velocidade regular, respeitando a sinalização e dirigindo de forma defensiva pelo simples fato de que seus atos traduzem a segurança do trânsito, sua moral apresenta uma ética em perfeita sintonia. Mas se um motorista apenas age desta forma em locais cuja fiscalização é operante, ele age com moral, mas sua ética está comprometida. Veja bem a diferença de ética, agir pensando na segurança ou agir sob receio de punições legais.

Infelizmente o condutor brasileiro, de forma geral, apenas aplica a moral (e não digo ética, pois ela está comprometida neste caso) no trânsito se “sentirem no bolso” as punições por seus erros. Esta realidade poderia ser diferente se todos aplicassem a ética na direção de um veículo automotor. Temos que compreender que o aparato de fiscalização e disciplinamento do trânsito existe em virtude de nossos próprios erros. E são pagos por nós mesmos.

Isto poderia mudar se cada brasileiro praticasse a boa ética ao dirigir e parasse de se comportar como criança mimada que, longe dos olhos dos pais, cometem peraltices e rompem os limites determinados. Cabe a cada pessoa entender que ser ético não representa ser certinho ou “Caxias” (fato que muitos não gostam de ser rotulados), ser ético representa ser um cidadão que não precisa ser fiscalizado para não cometer uma infração de trânsito.

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Um comentário em “A ética no trânsito

  1. Bom dia!
    Acredito que se no conjunto de ações das Políticas Públicas houvessem leis de trânsito, para serem efetivamente cumpridas não haveriam tantos acidentes no nossso país.No Código de Trânsito Brasileiro,art. 76,diz: A educação para o trânsito será promovida na pré-escola e nas escolas de 1º,2º e 3º graus, por meio de planejamento de ações coordenadas entre os órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito e Educação, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, nas respectivas áreas de atuação. Infelizmente, o nosso país fica muito aquém das próprias leis que foram elaboradas tanto na Constituição como no CTB.Precisamos mudar este quadro, conscientizando a população sobre o exercício da cidadania.Temos direitos e deveres para serem exercidos…

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