O dilema do sinal amarelo

Na teoria todos sabem, diante do sinal amarelo, diminuir e parar.  Petronio, experiente motorista de táxi, numa reunião na associação que faz parte, emite a seguinte opinião: na verdade, o sinal amarelo significa atenção e na prática, só poderá passar se na troca do verde para o amarelo o condutor estiver debaixo dele; além disso, a extensão do cruzamento também é muito importante; ao se aproximar do sinal que amarelou é preciso decidir. Por quanto tempo ficará no amarelo? Terei tempo para frear? Se frear subitamente, vou sofrer uma colisão do veículo detráz? Passo e posso ser multado pelo equipamento eletrônico? Passo e sofro uma colisão ou bato em outro veículo? Passo e fico preso no meio do cruzamento? Se o cruzamento for extenso o risco é maior? Passo e atropelo uma criança que se desgarrou das mãos do pai?

Na realidade, o sinal amarelo não manda parar e não manda passar.  Trata-se do condutor pensar rápido e decidir.   Quando o guarda está presente, o pensamento é um só:  parar.

As orientações que podemos fornecer são: tente administrar a velocidade de aproximação; durante o deslocamento de aproximação analise o tempo do verde ou do amarelo, se já estiver no amarelo e você se aproximando é melhor não passar.  Há condutores que querem aproveitar o último instante do amarelo e passar. Atitude de alto risco, principalmente se for num cruzamento com a visibilidade dificultado por um muro alto ou prédios. Felizmente a engenharia de tráfego adotou o bloqueio total, isto é, por um momento fica vermelho para as vias que se cruzam. Se não fosse esta medida o número de acidentes seria muito maior. Há condutores parando no final do sinal verde, por causa da dúvida ou receiro de serem multados. Há condutores que pensam pelo condutor da frente, imaginando que sempre aproveitarão o amarelo, atitude causadora de colisão traseira.  Nos cruzamentos em que existe a fiscalização eletrônica, o semáforo deveria ser aquele que mais chama a atenção, no qual a luz vai descendo. Outro cuidado que a lei exige é não parar sobre a faixa de pedestre na mudança do sinal.

Fique parado num cruzamento com semáforo e observe o cenário : passar no amarelo no inicio ou no final tornou-se um hábito. Você observará que há muitas situações que o condutor tem plenas condições de parar no amarelo, mas por força do hábito ou  de levar vantagem, passa, trafegando boa parte no vermelho, com a maoir cara de pau, sem qualquer constrangimento, como se fosse o rei da rua.

Outros condutores acreditam que o veículo da frente sempre vai passar no amarelo; mas se ele não passar e parar? Aí o condutor do carro detráz tem que se virar para não bater na traseira. Para não bater, tenta tirar, mas se outro carro estiver trafegando na faixa ao lado? Muitos ainda xingam o da frente porque ele parou no amarelo.  Não seja idiota, trabalhe com o seu cérebro e não tente pensar pelo outro.

Imagine se o veículo da frente for uma moto que parou no amarelo, mas o condutor detráz achou que a moto iria passar; não passou, parou e o carro detráz bate. Que estrago na moto e no condutor? E o condutor que bateu também vai sofrer os estragos no seu bolso e no bem estar emocional. Por isso mesmo o sinal amarelo é um dilema. Resolva-o de forma a não sair no prejuízo.  Raciocine com a sua cabeça e não procure adivinhar o que o outro está pensando.  Além da atenção, recomenda-se cautela e previsão.  A previsão colabora com a velocidade de aproximação e vice-veersa.

Luiz Eduardo Hunzicker


Luiz Eduardo Hunzicker é coronel aposentado da Polícia Militar do Paraná onde trabalhou durante os últimos 7 anos na ativa na Polícia Militar Rodoviária e no Batalhão de Trânsito de Curitiba e foi coordenador  do núcleo de educação e cidadania da Diretran de 2000 a 2009, além de realizar treinamentos em duas empresas de transporte coletivo de Curitiba.

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